Não sabe fazer nada? Vá ser jornalista...

 
Agora ficou melhor, principalmente para os empresários dos meios de comunicação, que são na sua maioria políticos
18/06/2009 - 05:02

Para ser médico é preciso ter diploma. Para ser advogado também. E assim todas as outras profissões. Agora para ser jornalista, segundo a maioria esmagadora do STF (8 votos contra 1), inclusive o sergipano Carlos Ayres Britto, não precisa de nada, muito menos diploma. Será assim: meu filho você não conseguiu ser nada na vida... Vá ser jornalista, não precisa de diploma...

 

Por 8 votos a 1, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511961, interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da primeira instância numa ação civil pública. No recurso, o MPF e o Sertesp sustentaram que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão – inclusive o diploma –, não foi recepcionado pela Constituição de 1988.

 

O fim do diploma para jornalista coloca na berlinda uma profissão que está na vanguarda dos anseios da sociedade brasileira. E o pior: os jornalistas que sempre defenderam diversas categorias estão hoje órfãos, sem defesa nenhuma, caindo no abismo do lugar comum. A desculpa de alguns ministros é que o diploma foi regulamentado por decreto-lei durante o regime militar não teria sido recepcionado pela Constituição de 1988. O único que votou a favor do diploma foi Marco Aurélio Mello, que alegou que "o jornalista deve ter uma formação básica".

 

Imagine, caro leitor, você que ralou, ralou ou está ralando ainda numa universidade e de repente, é informado que o curso que você fez ou está fazendo não vale...nada... E aí? Um estado democrático de direito não se constrói desta forma. Usurpando o direito de uma profissão tão importante? E logo quem. Senhores ministros do STF que não ingressaram nos seus cargos por concurso público. E sim por indicações políticas, como foi o caso do sergipano Carlos Britto, que é competente no que faz, mas também precisou de outro mérito.Não pense, caro leitor, que é um desabafo de um jornalista. É um desabafo de uma classe que não é respeitada, pelo contrário ainda sofre com outra forma de ditadura: a intimidação através da justiça.

 

E agora ficou melhor, principalmente para os empresários dos meios de comunicação, que são na sua maioria políticos. Basta olhar, pegar um cabo eleitoral e perguntar: Sabe fazer o que meu companheiro? Ele responde: Não sei quase nada. Pois bem, vá ser jornalista lá no meu veículo de comunicação. Não precisa de diploma não e vou lhe pagar mais do que o salário mínimo, uns R$ 800,00. Tá bom demais!!!! Agora, jornalista com diploma que de certa forma garantia a liberdade de expressão para a sociedade, para manter seu emprego terá que trocar também a sua consciência com o dono do veículo...

 

Posição do Sindijor

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, George Washington, lamentou a decisão do STF. Para ele, “o STF confunde liberdade de expressão com liberdade de profissão”, e o fim da exigência do diploma para jornalista vai precarizar ainda mais as relações de trabalho nas redações, já que agora qualquer um pode ser jornalista, com o seu qualquer formação. “Não tenho dúvida de que os empresários da comunicação devem estar comemorando e muito essa decisão, porque eles voltam a ter o poder de dizer quem é ou não jornalista. Infelizmente, mais uma vez quem perde são os trabalhadores. Hoje, são os jornalistas; amanhã, pode ser qualquer outra profissão de nível superior, basta que interesse ao grande capital”, retrucou .

 

Controle de contração dos profissionais

O presidente do Sindijor chamou a atenção para o voto do relator. “Quem acompanhou o julgamento, pôde ouvir claramente Gilmar Mendes apontar que os próprios meios de comunicação devem exercer o mecanismo de controle de contratação de seus profissionais. Então, fica bem claro de que lado esse senhor está”, disse. Outra questão levantada pelo sindicalista é quanto a quem paga o prejuízo daqueles que investiram tempo e dinheiro para fazer o curso de jornalismo. “Quem estudou para ser jornalista, investiu na profissão porque sabia que ela tinham regulamentação e que o diploma valia algo na disputa de mercado. E agora, quem paga por esse prejuízo? Os ministros do STF? O Sertesp?”, questiona o presidente.

 

Estratégias

Segundo Washington, a diretoria do Sindicato se reúne nesta quinta-feira, 18, para avaliar a decisão do STF e tentar traçar algumas estratégias para tentar evitar que a categoria dos jornalistas profissionais seja penalizada. Uma das idéias, de acordo com o sindicalista, é fazer um ranking das empresas que contratam jornalistas sem diploma, “para que a sociedade possa saber o grau de profissionalismo das redações nessas empresas e avaliar melhor a qualidade da informação produzida pelo veículo”. A outra é a possibilidade de ajuizar uma ação coletiva com os jornalistas que se sentirem lesados pela decisão do STF. “Vamos ver a viabilidade disso”, assegura.



Escrito por Angélica Lúcio às 11h23
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O crime do STF

Não é preciso ter diploma. Para comentar a decisão do STF que, de forma criminosa, baniu a obrigatoriedade do diploma para o exercício de jornalismo no Brasil é preciso ter estômago. Digo criminosa porque, com a decisão, os sem-moral do STF - como eles mesmos se definem quando brigam entre si - prejudicaram milhares e milhares de jornalistas diplomados no país inteiro ao tornarem inutilizados diplomas conquistados após quatro/cinco anos de dedicação acadêmica.

A decisão deve gerar considerável baixa nas remunerações, já combalidas, da categoria e, pior, rebaixa praticamente os atuais jornalistas diplomados à condição de “sem curso superior”. E se isso não for “retroagir para prejudicar” não há mais como explicar tal princípio básico que foi asquerosamente desrespeitado nesta quarta histórica.

Sendo a imprensa o quarto poder, a impressão que dá é de que os doutos ministros do STF, que tem certeza que são deuses, enquanto nós jornalistas apenas pensamos que somos, agiram por vingança - presunçosos que são - movidos ainda por um latente sinal de despeito. O quanto não deve ter doído, por exemplo, para os jornalistas da Assessoria de Imprensa do STF, todos devidamente diplomados, escrever a matéria da sessão. Foi como escrever o próprio epitáfio.

Nada contra os colegas que atuam brilhantemente na imprensa sem diploma, muito deles bem mais talentosos dos que tem. Mas, vejam bem, não defendo o diploma para medir talentos e sim para moralizar o exercício da profissão, tanto no que diz respeito à questão remuneratória quanto ética.

Indignações à parte, há outra vertente neste crime cometido pelos ministro do STF. O crime contra a sociedade. Ora, a preocupação com os abusos da imprensa deveria evoluir, na verdade, para a perda do registro de jornalista do profissional da comunicação useiro e vezeiro de práticas anti-éticas e criminosas contra a sociedade. Como acontece com advogados, médicos e, inclusive, magistrados.

O STF disse “não há regras” quando deveria dizer “tenham modos”. Agiu como pai que aumenta mesada do filho drogado no lugar de mandá-lo para uma clínica de recuperação.

O cinismo dos ministros também deve ser visto com ato criminoso. São crimes porque são passíveis de indenização. No geral, alegaram que exigir o diploma significa contrariar o princípio constitucional da liberdade de expressão e de pensamento. Fosse assim seria preciso acabar com o diploma de médico porque ninguém pode ser tolhido de prestar socorro “médico” a um enfermo ou necessitado. Ou com o diploma para advogado porque ninguém pode ser tolhido de elaborar e assinar sua própria defesa diante de um processo judicial.

Ora, quem é que é proibido de se expressar nesse país?

Os ministros acham que derrubar o diploma significa abrir os veículos para os 170 milhões de brasileiros? Tolice. Eles derrubaram os diplomas, mas quem continuará mandando nos veículos de comunicação são os donos. Quem quiser exercer a integralidade da liberdade de expressão que pinte os muros, use outdoors e carros de som. Mesmos estes tem suas limitações.

O diploma do jornalista nunca foi empecilho para o princípio da liberdade de expressão. Fosse assim, nós mesmos, jornalistas, sabemos o quanto somos tolhidos nos meios em que trabalhamos. Deveriam então acabar com os donos de veículos. Este sim tolhem a liberdade de expressão. E não os nossos diplomas.

Outro cinismo levantado foi de que o exercício de jornalista pode ser exercido por qualquer pessoa que tenha “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”, como definiu o ministro Ricardo Lewandoviski. Ora, com isso daí qualquer um pode ser qualquer coisa, inclusive ministro, que já não goza de tanta “formação ética” nem “fidelidade aos fatos”!!!. Quem tiver ““uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos” pode ser advogado, médico, engenheiro, basta um pouco de autodidatismo. Ou quer dizer que Arnaldo, das Farmácias Beira Rio, não daria um bom clínico geral se pudesse exercer a medicina na sua integralidade?

Nós, jornalistas diplomados, fomos criminosamente cassados sim.

E o que mais incomoda é saber que os responsáveis pela cassação vão continuar usando toga para esconder os próprios crimes.

ARTIGO DO JORNALISTA LUÍS TÔRRES (DIPLOMADO, SIM SENHOR)



Escrito por Angélica Lúcio às 11h01
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Para dias de tristeza

Por que Deus insiste em querer saber mais que todos nós?

Por que os bebês saem do ventre antes de transformarem as mulheres em mães?

Por que as notícias insuspeitas carregam sempre consigo a tristeza?

Por que a alegria não germina no tempo certo? 



Escrito por Angélica Lúcio às 15h31
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O presente

Por meio de Astier Basílio, repórter de Cultura do Jornal da Paraíba e escritor dos bons, conheci a poesia de Alberto da Cunha Melo, poeta pernambucano.

No Dia Nacional da Gentileza, comemorado em 29 de maio, Astier me 'mimou' com o poema abaixo – pleno de beleza e profundidade.

Na hora, fiquei em silêncio, e não contei nada para Astier, mas agora, admito minha ignorância: até então, desconhecia completamente quem era Alberto da Cunha Melo. Felizmente, fui socorrida pelo Google e descobri que se trata de um escritor nordestino, pernambucano de boa cepa e com uma obra fantástica. Para saber mais: http://www.albertocmelo.com

O presente

(Alberto da Cunha Melo)


O que hoje recebes

e não podes pegar, guardar

em panos e papéis laminados,

é imperecível,

presente onipresente.

Estás com ele na chuva

e não temes que se desfaça.

Estás com ele na multidão

e não o escondes

dos mutilados.

O que não existe para os homens

deles estará protegido,

o que os homens não vêem

não poderão espedaçar.

Eis o que não te denuncia

porque não tem face

nem volume par ser jogado no mar.

Eis o que é jovem a cada lembrança

porque não tem data para envelhecer.

O que hoje recebes

Não pode ser devolvido.



Escrito por Angélica Lúcio às 09h10
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Mudanças

"- O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?

- Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar"

(Tesoura do Desejo/ Alceu Valença)



Escrito por Angélica Lúcio às 14h25
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Poema triste

Me emocionam palavras bonitas

E mais ainda as não ditas,

a dor de mãos alheias

a soçobrar com o inevitável.

Os cabelos vermelhos

foram embora,

mas ainda emaranham o tempo.

Tia Mariquinha

não toma mais uísque

na Praia do Poço

Nem me sorri

com pequenos olhos de gata,

a timidez da família

a espiar na varanda.

Em nova lápide,

aquece pequenos anjos

e pede mais um gole

da eterna saudade. 

 

Angélica Lúcio

 

Tia Mariquinha, uma das irmãs do meu pai, morreu nesta madrugada. Vai dormir em paz.



Escrito por Angélica Lúcio às 21h43
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Poema novo

Era um tempo de delicadezas.

A doçura se mostrava

em xícaras e pires combinados,

um certo jeito de arrumar

sorrisos entre as flores

e o pano de prato novo

se queria conversa entre as visitas.

Vaquinhas, galinhas e mínimos

morangos rescendiam a novidade.

O bordado ganhava corpo,

respirava a sal, frango refogado,

salada de atum com banana

e era mais forte que tudo

o que eu vira nos livros.

A poesia não estava em mim

ainda que já tivesse devorado

Drummond, Bandeira e Cecília.

Mas a vida toda eu soubera

que tantos versos eu fizesse,

sempre seria menos que

o rastro de lilases,  róseos e azuis

trazido do passado.

 

Angélica Lúcio



Escrito por Angélica Lúcio às 20h57
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Personagem vivo

Nem Kafka, a ponto de criar 'Metamorfose'.

Tampouco Clarice Lispector, com 'A Paixão Segundo G.H.'  

Mas também tenho minha barata - e ela acaba de entrar na sala, voando através da varanda.

Estou só em casa e não tenho coragem de sair do canto.

Ela é enorme e se movimenta  como quem se sabe amedrontadora.

Estou com nojo.

Estou com medo.

E não sei o que ela fará se descobrir que é mais forte do que eu...

 



Escrito por Angélica Lúcio às 19h21
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Poema para a sexta-feira

"MOCIDADE INDEPENDENTE

Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra
cima sem medir mais as conseqüências. Por que
recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para
a pequena audiência de serão? Voei pra cima: é
agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem
uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de
madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta
contramão."

(Ana Cristina César)



Escrito por Angélica Lúcio às 20h23
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Só...

Só o que eu queria agora era você.

Em dia de chuva como o de hoje, então, o que eu desejava mesmo era me perder na curva dos teus braços.

E brincar de tentar nivelar minha respiração com a sua.

Só o que eu queria hoje era me descobrir entre seus pelos – agora sem acento mesmo, após essa tão mal falada reforma ortográfica.

Só o que eu queria neste instante era me permitir ser eu mesma - sem subterfúgios, versos fugidios, palavras envergonhadas.

Corpo a se revelar vontade, essência e mel.     

Só o que eu queria agora era comer você todinho.

E esquecer que já fui mocinha educada um dia.

E me permitir gritar loucas palavras a cada instante de gozo.

Só o que eu queria hoje era sentir você sobre mim.

Seu corpo me dizendo que quer ir mais fundo e sempre  - até que eu perca os sentidos ou queira engolir você inteiro de novo. 

Só o que eu queria neste instante era hidratar meu lábios com seus beijos, me perfumar com seu hálito e me deixar invadir inteira por suas doces palavras.

Só o que eu queria agora era dormir com seus olhos sobre mim.      

E se eu demorar a despertar desse sonho, não me acorde não.

Até porque ninguém vai acreditar que foi verdade.

E até o Kama Sutra ficará com vergonha de mim.



Escrito por Angélica Lúcio às 16h27
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Pablo Neruda

"Como se combina com os pássaros

a tradução  de seus idiomas?

 

Como dizer à tartaruga

que a supero em lentidão?

 

Como perguntar à pulga

qual seu recorde de saltos?

 

E que devo dizer aos cravos

agradecendo-lhes o perfume?"

(do Livro das Perguntas - presente de Lúcia e Pepe no meu aniversário)



Escrito por Angélica Lúcio às 19h42
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E a vida e a vida e a vida

Não dá para escolher a vida como se pede pão na padaria: branquinho e macio, ou um pouco mais tostado e crocante, com muito ou nenhum miolo.Na verdade, talvez a vida seja mesmo como um misterioso pão: só se descobre o gosto após a primeira mordida.

 

Permita-me a mesmice, mas como o espaço serve também aos devaneios, vale recorrer à auto-ajuda. E, sim, vez em quando eu escuto o que a moça da TV leva para dentro da minha casa, ao lado do papagaio engraçado.

 

Hoje, com luvas de pelica – ai, os chavões nossos de sempre... – ela sugere que a gente deixe de reclamar da vida e comece a agradecer pelo que tem. E na hora do balanço, sempre haverá muito mais: casa, comida, emprego... e  filho  inteligente a derramar tiradas muito geniais para a pouca idade.

 

Enfim, se for para passar a peneira e deixar ficar apenas o que é positivo, então há de se resgatar o antigo Jogo do Contente – e quem leu Pollyana (menina ou moça) sabe do que estou falando.

 

Mas ver a vida apenas pelo lado positivo também nos torna acomodados, sem querer muito do mundo e nos contentando apenas com o que é palpável, sem deixar espaço para o sonho, o mistério, o que se mostra inatingível, mas que pode estar ali, na esquina, pertinho do que se sabe atitude e força de vontade.

 

  



Escrito por Angélica Lúcio às 10h20
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Ao visitante desavisado

Aqui não existe a fórmula da felicidade

tampouco notícias de fino humor

aqui não me revelo, escondo, minto

aqui não me acho, mas também não me perco

aqui finjo, escureço, passo.

Aqui estou, mas só de vez em quando

Fico entre o dia e a noite

a vida e a vida e a vida.

Aqui finjo: ainda que me flagre pensando o contrário.

 



Escrito por Angélica Lúcio às 11h24
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Música no ar

Trilha sonora da sexta-feira

 19:47 Marisa Monte

"Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente
Cada passo conduzia a um êxtase"

19:30- Marisa Monte

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

19:26 - Marisa Monte


"Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!

Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!"

16:43 - Ana Carolina

"Sei que não sou santa
Às vezes vou na cara dura
Às vezes ajo com candura
Pra te conquistar"

 16:04 - Skank

"Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais
Eu fico onde estou
Prefiro continuar distante"

15:58 - Skank

"Mil acasos me levam a perder
O senso, o ritmo habitual
Mil acasos me levam a você
No início, no meio ou no final
Me levam a você
De um jeito desigual

Mil acasos apontam a direção
Desvios de rota é tão normal
Mil acasos me levam a você
No mundo concreto ou virtual
Me levam a você
De um jeito desigual

Quem sabe, então, por um acaso
Perdido no tempo ou no espaço
Seus passos queiram se juntar aos meus
Seus braços queiram se juntar aos meus"

15: 47 - Skank

"Não sei por que nessas lacunas vejo o seu olhar
Não sei por que nessas lacunas vejo o seu olhar
Espalhe por aí boatos de que eu ficarei aqui"

 

 



Escrito por Angélica Lúcio às 15h54
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Tá na cara?

 

Mais que cansaço, tédio

Mais que tédio, desânimo

Mais que desânimo, tristeza

Mais que tristeza, saudade

Mais que saudade, ilusão

Mais que ilusão, fome

Mais que fome, carência

Mais que carência...



Escrito por Angélica Lúcio às 21h53
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