Pablo Neruda
"Como se combina com os pássaros a tradução de seus idiomas? Como dizer à tartaruga que a supero em lentidão? Como perguntar à pulga qual seu recorde de saltos? E que devo dizer aos cravos agradecendo-lhes o perfume?" (do Livro das Perguntas - presente de Lúcia e Pepe no meu aniversário)
Escrito por Angélica Lúcio às 19h42
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E a vida e a vida e a vida
Não dá para escolher a vida como se pede pão na padaria: branquinho e macio, ou um pouco mais tostado e crocante, com muito ou nenhum miolo.Na verdade, talvez a vida seja mesmo como um misterioso pão: só se descobre o gosto após a primeira mordida. Permita-me a mesmice, mas como o espaço serve também aos devaneios, vale recorrer à auto-ajuda. E, sim, vez em quando eu escuto o que a moça da TV leva para dentro da minha casa, ao lado do papagaio engraçado. Hoje, com luvas de pelica – ai, os chavões nossos de sempre... – ela sugere que a gente deixe de reclamar da vida e comece a agradecer pelo que tem. E na hora do balanço, sempre haverá muito mais: casa, comida, emprego... e filho inteligente a derramar tiradas muito geniais para a pouca idade. Enfim, se for para passar a peneira e deixar ficar apenas o que é positivo, então há de se resgatar o antigo Jogo do Contente – e quem leu Pollyana (menina ou moça) sabe do que estou falando. Mas ver a vida apenas pelo lado positivo também nos torna acomodados, sem querer muito do mundo e nos contentando apenas com o que é palpável, sem deixar espaço para o sonho, o mistério, o que se mostra inatingível, mas que pode estar ali, na esquina, pertinho do que se sabe atitude e força de vontade.
Escrito por Angélica Lúcio às 10h20
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Ao visitante desavisado
Aqui não existe a fórmula da felicidade tampouco notícias de fino humor aqui não me revelo, escondo, minto aqui não me acho, mas também não me perco aqui finjo, escureço, passo. Aqui estou, mas só de vez em quando Fico entre o dia e a noite a vida e a vida e a vida. Aqui finjo: ainda que me flagre pensando o contrário.
Escrito por Angélica Lúcio às 11h24
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