O presente
Por meio de Astier Basílio, repórter de Cultura do Jornal da Paraíba e escritor dos bons, conheci a poesia de Alberto da Cunha Melo, poeta pernambucano. No Dia Nacional da Gentileza, comemorado em 29 de maio, Astier me 'mimou' com o poema abaixo – pleno de beleza e profundidade. Na hora, fiquei em silêncio, e não contei nada para Astier, mas agora, admito minha ignorância: até então, desconhecia completamente quem era Alberto da Cunha Melo. Felizmente, fui socorrida pelo Google e descobri que se trata de um escritor nordestino, pernambucano de boa cepa e com uma obra fantástica. Para saber mais: http://www.albertocmelo.com O presente (Alberto da Cunha Melo)
O que hoje recebes e não podes pegar, guardar em panos e papéis laminados, é imperecível, presente onipresente. Estás com ele na chuva e não temes que se desfaça. Estás com ele na multidão e não o escondes dos mutilados. O que não existe para os homens deles estará protegido, o que os homens não vêem não poderão espedaçar. Eis o que não te denuncia porque não tem face nem volume par ser jogado no mar. Eis o que é jovem a cada lembrança porque não tem data para envelhecer. O que hoje recebes Não pode ser devolvido.
Escrito por Angélica Lúcio às 09h10
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