Tempo de viver

Tenho uma prima linda, que mora em Brasília, com sorriso, pele e nome de princesa: Catarina.

Cata, dois anos mais nova que eu (pelos meus cálculos), tem um marido legal, dois filhos lindo e acabou de se descobrir... com um câncer de mama.

Não é notícia que ninguém espere colocar num blog.
Não é algo que ninguém queira ouvir, muito menos uma menina linda e jovem.

Mas é doença que chega sem avisar. E manda recados: para quem a descobriu e para os que estão ao seu lado.


Viver mais a vida.

Encontrar mais os amigos.
Se deliciar, de verdade, com o cotidiano.

 Não sei se Catarina já fazia isso bem.

Sei que tenho relegado minha vida e o que deveriam ser instantes especiais a um segundo plano.

O bichinho que se instalou no seio de Catarina chega para deixar mensagens .

 (E também para mim ....)


Beijos, minha prima princesa!

 



Escrito por Angélica Lúcio às 10h38
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Inspiração para dias de tormenta

"Se avexe não

Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa

Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavandeira
Pra ir mais alto vai ter que suar "

(Musiquinha A Natureza das Coisas, de Acioli Neto - bom para ouvir na voz de Flávio José - principalmente quando a vida tá meio aperreada...)



Escrito por Angélica Lúcio às 18h54
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De flores, cactos e macaíbas

Para que serve uma flor? Uma flor perdida no meio do meu jardim se eu mal lebro se ela existe?

 Estou tão longe de tudo o que me cerca, quase igual aquele povo do comercial de TV - que tem um orgasmo quando vê umá réstia de sol se pôr ou uma plantinha parecida com feijão nascendo no asfalto - que vejo a hora não discernir mais entre um galo-de-campina e um pardal.

Minha vida está presa entre quatro paredes  ou enlinhada numa rede de computador que mais me cansa os olhos que me alimenta.

Acho que preciso usar sutiãs mais macios, chupar manga  no meio da tarde - sem me preocupar se os dentes vão ficar vestidos de fiapos amarelos -e abraçar uma árvore.

Ultimamente, sinto que estou mais abraçando cactos e dando murro em ponta de faca que qualquer outra coisa na vida.

E isso me leva a lembrar com saudade dum tempo em que meu nome era infância  e minha maior diversão era subir num pé de goiaba e ficar, lá em cima, lendo um novo livro.

Ai acho que estou precisando mesmo é chupar macaíba -aquela frutinha da casca dura, com polpa amarela, gosto engraçado e que deixava sua marca em nosso dentes. A propósito: ainda existe macaíba por aí? Se alguém souber, aceito doações.

 



Escrito por Angélica Lúcio às 00h48
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Tarciana descobriu o curry

Acho que foi amor à primeira vista.
Estava ali, o pacotinho, lacrado, com nome estranho, e que ela não sabia para que servia.
Um dia, ela me viu usando o temperinho no arroz e gostou.
Agora, o colorau não entra mais na minha cozinha.
Tarciana - minha 'secretária do lar' - 
descobriu o curry e eu não consigo mais almoçar em casa... 



Escrito por Angélica Lúcio às 15h12
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Bicho-homem

O desinteresse pelos outros tem se tornado algo latente no ser humano. Há certo tempo, chocou-me uma fotografia, tirada no Rio de Janeiro, na qual viam-se pessoas passeando, namorando, brincando e até posando para fotos sem prestar atenção no corpo ao lado, lá estendido no chão. Estava ali um ser humano, ou o que sobrou dele, e isso não incomodava a ninguém. Podia ser um cachorro morto, um pássaro ferido, uma lata de lixo. Tanto fazia.
Esta semana, nos Estados Unidos, uma senhora cai no meio da recepção de um hospital, fica lá, estendida no chão, outros pacientes vêem, um vigia olha, vira o rosto e nada. Se passa uma hora até que alguém a socorra. Não adianta mais. A vida já se foi.
Cada vez mais me surpreendo com o ser humano. Tenho muito medo desse bicho-homem, preso em sua própria selva de egoísmo.


Escrito por Angélica Lúcio às 01h03
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I love you

 

Não sei mais dizer 'eu te amo'.

Tento, mas não consigo. Insisto, mas o tédio domina a doçura do meu coração.

Ah, coração, velho coração cansado de guerra, que é bobo e tudo, mas não é besta.

Ai, vida. Que coisa que é pensar que se sabe de tudo e não adivinhar sequer a próxima palavra que vai pôr fora da boca...



Escrito por Angélica Lúcio às 14h56
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Esperando

Espero algo que não sei do que se trata: pode ser um presente, um poema ou até uma doença. A sensação é de que me falta algo e de que as recentes notícas ruins em nada poderiam ser piores. Mas poderiam sim: solidão, doença, morte.  O que me põe em pé não é o que me alimenta a cada hora  ou o que me salvou, no passado, da angústia dos dias.

Ah, o passado, com seu risinho pérfido me espreitando a todo instante, com sua carinha de anjo, antena de borboleta a estapear o meu rosto. Tem horas - como agora - que odeio tudo o que foi felicidade ontem e me alcançou até pouco tempo atrás. Por isso, tenho instantes de menina má. E queria mesmo era dar um chute na canela dos outros.



Escrito por Angélica Lúcio às 22h42
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Fumaça no ar

  

Na semana de combate ao tabaco, a personagem Sílvia, da novela Duas Caras, pira da batatinha e quanto mais aumenta sua loucura, mais cigarros ela desfila na telinha da TV. A cena me remeteu ao filme 'Obrigado por fumar' (de 2006, mas só visto por mim na semana passada), que fala das peripécias de um relações públicas (Nick Naylor) em defesa da indústria de cigarros.

Em dado momento, quando tudo está mais do que complicado,  o porta-voz da indústria tabagista sugere que, a exemplo do que ocorria em décadas anteriores, era hora de voltar a investir em merchandising no cinema, para mostrar que não só bandidos e árabes aparecem fumando cigarro, mas também um casal super sensual, que fuma um cigarro atrás do outro, após uma transa espetacular - no espaço, creiam.

Tanto a TV quanto o cinema já deram provas suficientes de que influenciam, sim, na 'formação' de novos fumantes. Agora, se aquelas imagens  'horror' que serão estampadas nos novos maços de cigarros conseguem produzir o efeito inverso eu ainda não sei. Sei apenas que já perdi um grande amigo para o cigarro, mas meu pai continua fumando três maços por dia.  E não está nem aí para a cor da chita.



Escrito por Angélica Lúcio às 14h47
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Lolita, segunda versão

 A trama de Vladimir Nabokov se estende pela tela e eu a acompanho, mesmo que , entre um instante e outro, minha mente queira mais traçar paralelos sobre o romance que li, há coisa de 15 anos,  e a primeira versão do filme, de 1962, dirigida por Stanley Kubrick e vista por mim também noutros tempos.

Na minha cabeça, os personagens são mais fortes do que os expostos na telinha da TV. Da idéia que ainda lembro do livro, a mãe de Dolores, a Lolita, não me parecia tão bonita quando Melanie Griffith (segunda versão) e o Humpert também não possuía o mesmo charme do ator Jeremy Irons.

No livro, toda a história, ainda que  muito envolvente, me parecia mais asquerosa - mesmo que sempre tratada com muito normalismo e beleza por alguns amigos dados como intelectuais e com um quê de pedofilia entranhado na alma.

Por coincidência, ou não, assisti ao filme, no início da semana, no dia em que li algumas matérias sobre abuso sexual de crianças. Nessa situação, não há como se envolver tanto com o filme a ponto de dissociá-lo do cotidiano, tampouco como se desgarrar da imagem nojenta e doentia dos tantos Humperts da vida real... 

 



Escrito por Angélica Lúcio às 13h24
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Ensaio sobre a Cegueira

Pouco acesso o You Tube, mas hoje, incitada por André Cananéa e Renato Félix, fui ver um vídeo sobre a exibição do filme 'Ensaio sobre a Cegueira', para o grande Saramago, autor do livro que dá nome à película.

E querem saber? É de emocionar... Para quem já leu o livro e conhece o talento desse grande escritor português, o depoimento de Saramago a Fernando Meirelles já vale por qualquer prêmio. Está curioso? Então vai lá, acessa o You Tube e confere o que eu digo!

 

Ah, Canícula e Renatinho, obrigada pela dica!



Escrito por Angélica Lúcio às 13h02
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Pelo menos

Pelelê, agora com 4 anos recém-completados, pergunta enquanto vai para a escola:

_ Mami, quantos dias eu vou ter de férias? Mil?

- Não, filho, ninguém tem esse tanto de dias de férias...

- Então, eu vou ter uns 200 dias, pelo menos?

- Não Pê, você vai ter 30 dias de férias...

Antes mesmo que eu termine a frase, ele interrompe, cruza os braços, faz bico e resmunga:

_ Não quero, 30 dias é muito pouco, quero pelo menos 200 dias de férias!  



Escrito por Angel Mix às 09h30
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Diferenças

Pelelê, com seus 2 aninhos, coloca as mãozinhas na frente do short e fala:
_ Bumbum!

E eu logo corrijo:
_ Não, na frente é pintinho.

Pelelê pergunta:
_ Papai tem pintinho também?

_ Tem sim, digo.

Papai provoca:
_ E a mamãe, tem o quê?

E Pelelê responde no ato:
_ Cabeio.



Escrito por Angel Mix às 13h16
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Independência

Aconteceu apenas dois dias seguidos

e apavorada cá estou.

Ligo para casa, à noite, do trabalho, como de costume

e peço para falar com o Pelelê.

O pai chama, como sempre:

- Filho, vem falar com mamãe!

e eu, do outro lado da linha, ouço o que tão cedo não esperava:

- Quelo não.

O pai insiste, e Pedro  só reforça:

- Quelo não fa-ar mamãe.

Fazer o quê? Só torcer pelo novo time que tenho em casa, o Pedro Independente Futebol Clube.

 

 

 

 

 



Escrito por Angélica Lúcio às 23h29
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A essência

as pessoas, ah, coitadinha das pessoas, têm medo de tudo, de tudo o que não faz o menor esforço para parecer hostil ou querer tirar o sono de alguém

e as pessoas ficam sem dormir, e viram de um lado para o outro da cama, e ficam comendo sem sentir gosto de nada da vida, e tá lá, o garfo perdido, entre o prato e a boca, entre a ânsia e a vontade quase nada de comer

ah, as pessoas, as pessoas são tão engraçadas, que nem notam que a vida está passando, e ficam em frente ao espelho, amassando as marcas entre as sobrancelhas, e ficam dando tapinhas no rosto, para parecerem menos pálidas, e quando o verão chega, ficam preocupadas se o sol vai estragar muito a pele

ai, como as pessoas ficam tempo demais fazendo coisa demais, e se estressando por não terem tempo pra nada, e envelhecendo porque não conseguem passar um final de semana, uma tarde de domingo que seja, sem se esgotar em cinema, e shopping e uma caminhada na calçadinha ou uma pizza rápida e sem gosto na esquina

ah, as pessoas, as pessoas, têm medo de tudo, temem carão a toda hora, pois sabem que sempre há algo que não ficou bem feito, que foi deixado de lado ou que não mereceu a atenção merecida na hora precisa

e as pessoas vão se estressando, vão engordando com os tantos chocolates e que tais no meio da tarde, e vão deixando de lado a essência, o que mais importa

e só depois descobrem, muitas vezes quando não há mais tempo, que eram somente pessoas

e que esqueceram de abraçar o tempo ao lado das pessoas que mais importavam.

 

 



Escrito por Angélica Lúcio às 23h23
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Promessa

Fiquei exatos 13 dias sem pôr uma gota só que fosse na boca.

Mas fui passear num dia torando de calor e não deu outra: levei um refrigerante à boca e pronto:

promessa de ano novo quebrada: e no final da tarde quebrei de novo.

Mas já tem outros cinco dias que não cedo.

E ponto.



Escrito por Angélica Lúcio às 22h40
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